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A Central Galeria tem o prazer de apresentar “Duas Naturezas”, exposição coletiva na qual participam 7 artistas: Gisele Camargo, Bruno Cançado, Simone Cupello, Simone Moraes, Flora Rebollo, Alexandre Wagner e Marco Maria Zanin.

A exposição procura relacionar a ideia de dualidade e de ambiguidade presentes nas obras selecionadas, seja no processo de trabalho desses artistas (na escolha de materiais e de procedimentos) e/ou no resultado apresentado.

Alguns trabalhos expostos são de uma natureza misteriosa, já que as imagens retratadas em pinturas ou desenhos, não se revelam imediatamente e nem por completo. Elas guardam em si uma espécie de enigma e ficam abertas para inúmeras leituras. Essa flexibilidade de interpretação dá ao espectador a liberdade de identificar nestas obras aspectos ligados à um repertório pessoal. Essas imagens carregam um certo grau de ambiguidade, já que muitas vezes elas transitam entre a abstração e figuras identificáveis e nomeáveis, mas sem necessariamente se enquadrar em uma categoria. Este é o caso das pinturas de Alexandre Wagner, Gisele Camargo e dos desenhos de Flora Rebollo.

A natureza aparece em alguns trabalhos de formas distintas, às vezes como matéria-prima e outras, como resultado estético. Simone Moraes busca aliar em sua pesquisa elementos da natureza (como terra, folhas, espinhos, etc.) com ações performadas por ela. Em um dos trabalhos exibidos, a artista cria um conjunto de objetos feitos a partir de papéis amassados e cobertos com cera. Ao mesmo tempo em que o gesto no papel é bem marcante, a cera faz com que esses objetos adquiram formas orgânicas. Eles deixam de ser papéis e se tornam abstratos. Essa dualidade também aparece no trabalho de Simone Cupello, mas a artista tem um outro ponto de partida: fotografias antigas. Ela se apropria e as utiliza como matéria-prima, que depois de aglutinadas e esculpidas se transformam em pedras. As imagens das fotografias, que já foram registros particulares e afetivos de pessoas em algum outro tempo, dão lugar a objetos inusitados, como um retorno à natureza. Contudo, a potência da memória de uma pessoa ou de uma época continua ali presente, quase como encapsulada para a eternidade.

Outros artistas da exposição, partem de elementos mais urbanos em suas pesquisas. Nos trabalhos apresentados por Bruno Cançado, o concreto é a matéria-prima principal. Eles se relacionam diretamente com o espaço e o gesto do artista é sempre bem registrado. As obras expostas sugerem certa maleabilidade à rigidez do concreto, dando a eles uma leveza inesperada. Já Marco Maria Zanin, se apropria de entulhos através de uma incessante busca pela cidade de São Paulo. O artista italiano cria então composições deslumbrantes em seu trabalho fotográfico. A primeira associação que se faz é com as tradicionais pinturas de natureza-morta mas as camadas de significados vão muito além da imagem e da composição estética. As fotografias também funcionam como uma espécie de catalogação de resquícios de demolição encontrados e guardam a memória de uma cidade que está em constante construção e destruição.

“Duas naturezas” realça a dualidade presente nas imagens, nos gestos, nas relações, nos conceitos, na cidade, na natureza e em tudo que está ao redor.

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Central Gallery is pleased to present “Duas Naturezas” (“Two Natures”), a collective exhibition of 7 artists: Gisele Camargo, Bruno Cançado, Simone Cupello, Simone Moraes, Flora Rebollo, Alexandre Wagner e Marco Maria Zanin.

The exhibition looks to connect the idea of duality and ambiguity present in the selected works, either in the work process of the artists (in the choice of materials and procedures) and/or in the presented result.

Some of the shown work have a mysterious nature since the images portrayed in the paintings or drawings don’t reveal themselves immediately, and some not entirely. They hold within themselves a sort of enigma and remain open for countless understandings. This flexibility of interpretation gives the viewer the liberty to identify aspects in the pieces related to a personal repertoire. These images carry a certain degree of ambiguity, since they often transpose between abstraction and identifiable, recognizable figures, but without necessarily falling into any category. This is the case of Alexandre Wagner and Gisele Camargo’s paintings, and Flora Rebollo’s drawings.

 Nature appears in some works in distinct forms, sometimes as raw material and other as an aesthetic result. Simone Moraes seeks to combine in her research elements of nature (such as earth, leaves, thorns, etc.) with actions performed by it. In one of her exhibited works the artist creates a combination of objects made from crumpled paper covered in wax. At the same time that the gesture of paper is very striking, the wax gives these objects an organic form. They stop being papers and become abstract. This duality also appears in the work of Simone Cupello, but this artist has a different starting point: old photographs. She appropriates and uses them as a raw material, which after being agglutinated and sculpted turn into stones. The images of the photographs which have already been private and emotional records of people in some other time give rise to unusual objects, like a return to nature. However, the power of the memory of a person or a time is still there, almost encapsulated for eternity.

Other artists in the exposition start with more urban elements in their research. In the works presented by Bruno Cançado, cement is the main raw material. They relate directly to the space and the gesture of the artist is always well recorded. The presented works suggest a certain malleability in the rigidity of the cement, giving them an unexpected lightness. Marco Maria Zanin appropriates debris through an incessant search around the city of São Paulo. The Italian artist then creates stunning compositions in his photographic work. The first association that one makes is with the traditional still life painters, but the layers of meaning go far beyond the image and aesthetic composition. The photos also work as a type of catalog of found demolition remnants, and keep the memory of a city that is under constant construction and destruction.

“Duas Naturezas” (“Two Natures”) highlights the duality present in images, gestures, relationships, concepts, the city, nature and everything around us.