gabriela mureb: 10º festival ecrã, cinemateca do mam-rio
Gabriela Mureb participa da 10º do festival ecrã com a obra Crash (2025), que será exibida na Cinemateca do MAM-Rio, no dia 27 de junho de 2026. A exibição conta, também, com uma conversa com a artista mediada por janaína nagata. O Festival Ecrã é um evento de arte e cinema experimental que, através de experiências que questionam a noção e a produção da imagem em movimento, busca estimular a cultura do audiovisual. Ao exibir filmes, games, instalações, artes interativas, performances e videoartes, o Ecrã incentiva novos formatos de produção e exibição dessas obras. Há 10 anos experimentam. Há 10 anos exibem.
“Crash” filme foi realizado por Mureb durante o programa de residência da Salta Art, uma organização sem fins lucrativos que visa criar pontes culturais entre a Alemanha e a América do Sul. O filme acompanha o processo de desmanche de um carro de teste no Centro de Desmontagem e Reciclagem da BMW, em Unterschleißheim, região metropolitana de Munique. As cenas que aparentemente registram caos e desordem, apresentam gestos cirúrgicos que dissecam o veículo para que se torne novamente matéria industrial, em um ciclo de morte e vida que ecoa a mecanização onipresente no mundo contemporâneo.
A peça audiovisual é preenchida de uma camada sonora emitida por motores em plena atividade e rangidos de materiais que são torcidos, rasgados e amassados de frente ao olhar do espectador. Um grande caminhão-robô, dotado de um grande braço mecânico, revela de modo estranho e desdobrador, o interior desse corpo mecânico. Durante esse processo, sistemas elétricos, fios, conectores, eixos, bombas e tanques são dissecados e extraídos da carne fria desse carro de teste, como veias e órgãos que passam pela mão de um patologista forense. A câmera alterna entre vistas desse destrincho e da usina que abriga tal atividade robusta. O olhar do espectador é igualmente acolhido dentro desse mesmo aparato robótico e expõe um controle de manuseio universal em formato de joystick. É concedido assim um ponto de vista quase íntimo e interiorizado dessa estrutura maquinaria que discrimina, sem medida de forças, as armações e alicerces do carro.
O dismanche ao final apresenta gestos repletos de penetrações e agarros e revela um processo quase erótico de desnude desse corpo metálico aravés da agilidade desse maquinario robótico em despir e decorticar esse corpo abnóxio e manso do carro. Essa aliás é uma das características do trabalho de Mureb que exercita, por meio de seus gestos sobre engenhos de criação própria, um vai-e-vem plástico, ininterrupto e gesticulador entre o corpo e a potência da máquina.
Gabriela Mureb: 10º festival ecrã
27 junho de 2026
MAM-Rio
Rio de Janeiro, Brasil
gabriela mureb, crash, 2025. foto: ana pigosso